dentro

A Cigarra e a Formiga

Um talento musical, um amante da música, um privilegiado com o dom da voz e dos acordes, é como uma grande árvore no meio do descampado, está ali solitária à espera de alguém cansado para cumprir seu destino, na sua sombra dar uma trégua ao caminhante, na voz sonora dos pássaros em seus galhos, dar alegria ao entediado e os frutos pelos galhos e pelo chão são oferta livre para energizar a vida e alimentar a alma para as próximas tarefas daquele que se vai.

A cultura serrano catarinense está de luto pela morte do amigo de muitos, companheiro voluntário de outro tanto e conhecido de todos. Com seu estilo bonachão e agradável sempre disponível à florear o cromo da gaita faceira. Muitos da nova geração talvez não o conheceram, mas nos outros dos tempos das fábulas, “a formiga e a cigarra, dos tempos que se dizia “festa acabada músico de a pé”, não deixaremos teu nome na sombra e no esquecimento. Homens com o Zé da Serra não morrem, são transferidos para o galpão dos imortais, seu nome está gravado no obelisco do infinito, onde se guardam a história, o folclore e as tradições das famílias do sul.

Em nome da cultura serrana, ofereço aos familiares esta poesia.

 

Memória dos Bardos das Ramadas

Memórias dos bardos das ramadas:

Dos ilhéus – das violas lusitanas:

Memórias da guitarras Castelhanas,

Em milongas pericons e habaneiras.

Lembrança das cordionas afanadas,

Animando fandangos e guerrilhas;

Saudade das Tiranas e Quadrilhas

Nos sorongos, em noites estreladas.

Tristeza das toadas Missioneiras,

Refletindo a angústia Guarani!

Nostalgia do terço Lau Sus Cri,

Rezado ao pôr do sol nas Reduções.

Fascínio das Histórias fronteiriças,

De Caudilhos, duelos, – entreveiros!

Sensações de canchas, parelheiros,

No aconchego noturno dos fogões!

 

Memória do Negro do Pastoreio,

Da Boi-Guaçu, das lendas extraviadas,

das salamancas, das furnas encantadas,

dos Cerros Bravos, Lagoas e Peraus. . .

Nobreza dos amores confessados

No floreio de endeichas cavalheiras

Ao donaire das prendas e sesmeiras,

Das vetustas estâncias, nos saraus.

Memórias das payadas Quixotescas

De andarengos, malevas, Chimarritas,

Dos menestréis de trovas não escritas,

Dos cancioneiros de romance e adaga!

Memória de um passado novelesco,

desse filão de motes e poesia

donde gerou-se o estro e a galhardia

do fidalgo verso Gauchesco!

Por: Cesar Missioneiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Jovem é assassinado em São Joaquim na Serra Catarinense

Detento sai para trabalhar e retorna ao presídio com bucha de maconha escondida no anus