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Carnaval de Rua: mais uma página da cultura lageana apagada

Carros alegóricos, samba enredo, fantasias, passistas, rainha de bateria, isso tudo está gravado na lembrança saudosista dos carnavalescos e amantes do Carnaval de Rua de Lages.

Foto: Acervo Cultural Museu Thiago de Castro

Os primórdios dos reinados de Momo em Lages, se deu no final do século XIX e início do século XX, com o surgimento do “Entrudo” brincadeira que antecedeu o Carnaval, nome usado até os dias de hoje.

O Entrudo se constituía em uma festa onde as pessoas se reuniam nas ruas e jogavam água molhando uns aos outros, com o objetivo de semidesnudar os corpos femininos, através da roupa molhada, onde ficavam à vista principalmente os seios das mulheres.

A Igreja católica considerou o entrudo e posteriormente o Carnaval como uma festa profana, e baseado na tese da igreja, o Tenente Ernesto Augusto Neves Comissário de Polícia na época, acabou proibindo o entrudo, alegando o pretexto da nocividade a saúde, mascarando a imposição religiosa do cristianismo da época. Com a proibição o entrudo foi perdendo força, e começou a entrar em cena o Carnaval, que era comemorado nas ruas e nos bailes no Clube 1º de Julho.

Os primeiros grupos carnavalescos a surgirem, foram o Vae ou Racha e o Cravo Preto. O Cravo Preto surge de uma turma de rapazes que frequentavam um local na rua XV de Novembro, hoje Nereu Ramos, no Centro de Lages, após os mesmos se tornarem dissidentes do Bloco Cravo Preto, do então Clube 1º de Julho.

Segundo Urubatan Trindade, carnavalesco, ex-presidente da Escola de Samba Princesa Isabel, ex-presidente da Liga das Escolas de Samba de Lages (LIESLA), o carnaval de rua em Lages começou a ganhar força nos anos de 1972 com a fundação da 1ª escola de Samba Unidos da Vila, do bairro Popular. Aí começaram a surgir as escolas Princesa Isabel da Brusque, Unidos do Ritmo Castro Alves (Urca), do Centro, Protegidos de São Carlos da Habitação, Sete de Setembro da Várzea e a Acadêmicos da Brusque, também do bairro da Brusque.

No início, as escolas possuíam apenas 40 integrantes, e quem contribuiu diretamente para acontecer o Carnaval, foi Carlos Jofre do Amaral (In memória), que fornecia uma autorização para os presidentes das escolas irem nas lojas Pernambucanas comprar o tecido para confecção das fantasias.

No ano de 1974, em reunião com o então prefeito da época, Dirceu Carneiro, foi sugerido para que se criasse um estatuto. Foi então que surgiu a Liga das Escolas de Samba de Lages (Liesla). Desde então a LIESLA começou a receber recursos para dividir com as escolas para que fosse organizado o Carnaval de Rua em Lages.

Os desfiles aconteciam na rua Marechal Deodoro, iniciando defronte onde está localizada a Igreja Universal, e finalizando em frente ao Clube 14 de junho. Em 2006, tivemos o último desfile oficial do Carnaval.

Hoje, domingo (23 de fevereiro), a partir das 18h, na Avenida Antônio Ribeiro dos Santos, bairro da Várzea, acontecerá um evento alusivo ao aniversário de dois anos de fundação do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Argemiro Madruga, que terá o apoio da Prefeitura Municipal de Lages através da Fundação Cultural.

Durante o evento acontecerá apresentações de Sertanejo Universitário, Grupo de Pagode, e para o encerramento um desfile de rua com a Escola de Samba Argemiro Madruga, que contará com a participação especial de integrantes da Escola de Samba Unidos do Herval, que participa do Carnaval de Rua de Joaçaba. Para os amantes e saudosistas do carnaval de rua de Lages, é uma ótima opção para avivar as lembranças do já extinto “Carnaval de Rua” de Lages.

Fonte: Historiador Lenilson Maia e Jornal O Momento

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