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Cesar Missioneiro nos conta sobre a Guerra do Paraguai e Solano Lopes

Quando falamos de Paraguai, nos vem à mente produtos de má qualidade, armas e drogas, mas nem sempre foi assim. Após a chegada da expedição do lendário conquistador espanhol, D. Álvar Nuñes Cabeza de Vaca em 1541 na ilha catarinense que ele batizou de “ramos” por ser dia de ramos, não se sabe ao certo mas uma versão afirma que o nome Ilha de São Francisco é dessa época, ficou nesta região por volta de 6 a 12 meses se organizando e, com os índio da região para viajar por terra até Assunção. Pela rapidez e o sucesso da empreitada de D. Álvar, há motivos relevantes para se acreditar que boa parte do caminho orientado pelos índios era uma das ramificações do milenar caminho Peabiru.

Álvar, súdito a serviço da coroa espanhola e por força motivacional ao Tratado de Tordesilhas, batizou as terras de Santa Catarina boa parte do Rio Grande e parte do Paraná de “Terras de Vera”, em homenagem a um antepassado. Após a chegada de um emissário de D. Alvar à Espanha, com notícias das novas descobertas, nos mapas espanhóis, Santa Catarina era território paraguaio e portanto sob domínio da Coroa espanhola, em resumo, tudo isso que conhecemos por aqui já foi Paraguai.

Então por conta das dificuldades de viver, transpor e iniciar atividades e a princípio sem notícias de riquezas minerais no Grande Sertão, mais tarde chamado de Sertão de Curitiba, os espanhóis de Assunção desprezaram esta saída para o mar porque usavam os rios Paraguai e Paraná até o Atlântico e perderam este território para Portugal por conta do Tratado de Madri de 1750. O território do Paraguai, desde a sua conquista teve uma expansão sócio econômica determinante naqueles tempos, em especial pela estratégia geográfica de assunção ou seja, a capital espanhola mais desenvolvida na banda oriental dos Andes.

Entre os Adelantados e ditadores que governaram o Paraguai três se destacaram. Gaspar Rodrigues de Francia, solterão excêntrico que fundou a República em 1814 e governou até 1840, sua característica era não permitir contato com os vizinhos, foram 26 anos de ostracismo paraguaio. O outro Carlos Antonio Lopez, ao contrário, foi político hábil, impulsionou o desenvolvimento e a modernização dos anos em atraso. Em seu período entre 1845 a 1862 construiu escolas, atacou o analfabetismo, construiu ferrovias, fábrica de arsenais, indústrias, elevou o nível de consciência da população para melhorar a eficiência na produção agrícola e pecuária. Aí entra em cena o filho sucessor de Antonio Lopez, Francisco Solano Lopez, nomeado general aos 19 ou 20 anos, foi estudar na Europa, frequentou a corte de Napoleão III, na França. Lá deixou-se fascinar pelas narrativas de campanhas Napoleônicas, o fulgor das paradas militares, mas nada aprendeu sobre política e estratégia militar. Ao assumir o poder intitulou-se El Supremo e realizou seu sonho; a guerra.

No final de 1864, o governo do Brasil interfere em lutas pelo poder no Uruguai, ajudando militarmente o caudilho Venâncio Flores que chega ao poder ajudado também pela Argentina, essa foi a alegação que faltava e mais o pretexto de garantir saída para o mar Solano Lopez dá início a mais sangrenta guerra da América do Sul.

O leitor vai observar os números e vai concluir onde estava o deus Ares, o demônio da guerra. Enquanto o Brasil (português), ia se virando com seus conflitos internos no norte, nordeste, a revolução Farroupilha, conflitos no Uruguai, com uma população de 9 milhões de habitantes, tinha um exército de 18 mil homens, o Paraguai com 1 milhão de habitantes contava com um exército regular de 64 mil homens e 28 mil reservistas, 180 canhões e uma esquadra de guerra fortíssima e fortalezas que dominavam o rio Paraguai. Solano Lopez em 11 de novembro de 1864 ordena que prendam um barco brasileiro que seguia para a Província do Mato Grosso com o recém empossado presidente dessa província, um médico e a tripulação, todos foram presos e todos morreram, uns de fome e outros impiedosamente feridos até a morte, estas foram as primeiras vítimas brasileiras de Solano. Em seguida o exército paraguaio invadiu a província do Mato Grosso matando quem encontrava pela frente, ao mesmo tempo atacou matou e invadiu São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Brasil mesmo se aliando ao Uruguai (8.000 mil homens), Argentina (18.000 homens), apelou para uma decisão inédita, chamou os “Voluntários da Pátria” e arregimentara-se homens livres e negros escravos (promessa de alforria), desde o Ceará ao Rio Grande do Sul. Mas Solano não matou somente homens da tríplice Aliança, fuzilou seu irmão e alguns paraguaios que desejavam o fim da guerra (massacre de São Fernando). Caxias percebendo a fragilidade do exército paraguaio intima Solano à depor as armas e a rendição incondicional, mas o irredutível Solano foge com uns 200 homens para as matas do noroeste rumo a Cordilheira mas deixa à sua retaguarda crianças e adolescentes com barba postiça e alguns velhos arregimentados a força. Os soldados brasileiros ao perceberem que matavam crianças na batalha Nhu Guaçu recuaram daquele ataque e mais enfurecidos caçaram Solano até alcança-lo em Cerro Corá onde a lança do cabo José Francisco Lacerda o Chico diabo feriu mortalmente o ditador Francisco Solano Lopes.

O El Supremo acabou com quase 70% da população do Paraguai, o país ficou com o maior número de viúvas desde a história escrita, praticamente tudo que seu pai construíra ele destruiu no desejo insano de guerra e conquista de território.

Quando observamos ou escutamos povos vizinhos, outros nem tão vizinhos (Estados Unidos, Itália, Rússia, povos árabes), percebe-se um nacionalismo forte, civismo, amor e proteção aos seu heróis, seu território, e em especial as tradições que são cultuadas e evidenciadas a todo instante. O brasileiro age exatamente aos contrário, culpa seu país pelo insucesso dos outros, não tem heróis épicos seus heróis são artistas da tv, as tradições estão em agonia mortal e em pequenos grupos isolados desprotegidos do modismo irracional. O brasileiro não aceita perder uma final da copa de futebol para outro país mas aceita que historiadores com ausência total de civismo condenem algum governo por vencer uma guerra, garantir a soberania do território, a integridade das mulheres e a honra das famílias.

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