dentro

Crônica: “Mãe”

. . . Desde que mamei no colo

Da mama bugra campeira

Trago a alma prisioneira

Das coisas que vem do solo!

Os habitantes da Grécia antiga já homenageavam as mães com festividades em honra à Rhea, a mãe dos deuses. No Brasil foi a Associação dos Moços Católicos do Rio Grande do Sul, que em 1918 pela primeira vez homenageou as mães brasileiras. Em 1932, Getúlio Vargas, a pedido da Associação das feministas do Brasil, criou oficialmente no segundo domingo de maio o dia das mães. Em 1947, D. Jaime Câmara anexa a data ao calendário da Igreja.

O dia das mães é a data de maior relevância da sociedade na composição familiar, afinal homenageia-se dois seres em um, a mulher e a mãe. A mulher que se transforma em mãe como as “pupas” que se transformam em borboletas. E é neste momento que o mistério da vida se instala definitivamente, o instinto materno de proteção incondicional aos filhos e a família.

Este texto não vai tecer grandes elogios as formosas e valentes mães, não tem frases para arrancar lágrimas copiosas dos sentimentais, vamos sim, comentar sobre mulheres sadias e estáveis que negam a maternidade porque filhos incomodam demais, choram, fazem xixi na cama, cocô na calça, ficam doentes. Associado a este pensamento, ouve-se daquelas de belo corpo, que filhos deformam e as deixarão feias. À estas desejo vida muito longa para que tenham tempo de refletir o que a idade realmente faz ao envelhecer um corpo que nem deixou descendentes. Não discutiremos o aborto provocado de um embrião porque é uma das coisas mais íntimas do núcleo celular e psicológico feminino. Detentores da natureza masculina, nós homens não teríamos autoridade suficiente para questionar uma decisão sobre um incidente ou infortúnio que leva uma mulher a tomar decisão tão complexa, responsabilidade que carregará para o resto da sua história.

Aprendemos que, no princípio da criação Deus deu vida à um homem e à uma mulher para principiarem a vida humana na Terra. Avaliando tamanho poder da divindade, dá para entender o poder que foi dado às mulheres, o de gerar dentro de si outra vida, um ser completo e inteligente.

No mundo animal é incomum mas acontecem eventos de fêmeas que rejeitam seus filhotes, entendemos que o bicho não tem avaliação psicológica, inteligência, moral, religiosa etc. Então o que faremos da nossa opinião em relação às mulheres que jogam seus recém nascidos nas lixeiras, nos vasos sanitários dos banheiros públicos, inúmeras são as criatividades, que vão desde o rápido estrangulamento ao grotesco esmagamento do recém-nascido pelas rodas de um trem na linha- férrea, na ânsia psicótica de se ver livre do embaraço.

E as mães que por um ou inúmeros motivos não podem criar o ser do seu ventre?  Nos tempos antigos era costumeiro deixar estas crianças na porta da casa de alguém que obviamente tivesse boas condições para criá-las e em alguns países da Europa medieval, Mosteiros criaram a “Janela da Vida”, ou “Dos Excluídos”, que tinha um simples e curioso funcionamento. Tratava-se de um cilindro giratório de madeira com uma base e uma abertura onde deitava-se a criança, havia um sinete para avisar a presença de quem chegava e de quem recebia, o mecanismo não permitia que a pessoa de dentro e a de fora dos muros se comunicassem ou se enxergassem, ficando tudo em sigilo absoluto.

Seria um lapso imperdoável não mencionar a terceira personagem homenageada no dia das Mães, que conhecemos por “madrasta”. Como conceituar a madrasta? Independente da circunstância que a tornou madrasta, para que esta seja realmente mãe de um filho que ela não gerou vai depender exclusivamente do seu coração.

Por Cesar Missioneiro

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