O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), a Operação “Catilina”, que investiga a suposta infiltração de uma organização criminosa no cenário político de Itapoá, no Norte do Estado. A ação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas (VEOC) e cumpridas em endereços ligados a três investigados, todos no município de Itapoá.
Segundo o Ministério Público, a investigação teve início após informações encaminhadas à 1ª Promotoria de Justiça de Itapoá. Os elementos reunidos até o momento apontam indícios de que uma organização criminosa teria buscado influenciar o processo político local por meio do apoio a determinados candidatos e de ações voltadas ao fortalecimento do domínio territorial da facção.
De acordo com a apuração, benefícios e auxílios teriam sido distribuídos em comunidades sob influência do grupo criminoso em troca de apoio político. O MP também apura denúncias de intimidação, ameaças e coação contra moradores para que manifestassem apoio a candidatos específicos, além de ações direcionadas contra possíveis opositores.
Os investigados ainda são suspeitos de manter vínculos entre agentes políticos, empreendimentos privados e integrantes da organização criminosa, formando uma estrutura que teria como objetivo fortalecer os interesses da facção.
Todo o material apreendido durante o cumprimento dos mandados será submetido à perícia da Polícia Científica. As evidências serão analisadas pelo GAECO para dar continuidade às investigações, identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração dos fatos.
A investigação tramita sob sigilo judicial. Conforme o Ministério Público, novas informações serão divulgadas somente quando houver autorização para publicidade dos autos.
Origem do nome da operação
O nome “Catilina” faz referência a Lúcio Sérgio Catilina, personagem da Roma Antiga associado à chamada Conjuração de Catilina, episódio histórico marcado por articulações clandestinas para obtenção e manutenção do poder. Segundo o MPSC, a denominação simboliza a hipótese investigada de influência criminosa sobre espaços de representação política e estruturas públicas.